Ir para o conteúdo
Article · Revista Trivento

INTERACTIVE PRACTICES WITH PATIENTS REGISTERED IN THE HEMODIALYSIS PROGRAM

Author:Lucas Neres, Maria Nilza Maciel dos Santos, Marlison Vieira Ribeiro, Sara Luzia Duarte de Souza, Anna Lindsay Brito de Sousa, Rosivânia da Silva Mendes Reviewer:Morgana Myriam da Silva
Published on02/06/2026 Keywords:Hemodialysis. Humanization of Care. Mental Health.
Caring for patients undergoing hemodialysis requires approaches that promote well-being and encourage adherence to treatment. Objective: To report the experience of conducting interactive activities with hemodialysis patients. This is an experience report developed with 37 patients undergoing hemodialysis treatment, distributed into two shifts: 16 in the morning and 21 in the afternoon. Activities included painting on canvases, word-search games, group discussions, a memory tree activity, and Christmas card making. Good adherence to the proposed activities was observed, with group discussions showing the highest participation in both shifts. The activities provided opportunities for interaction, leisure, emotional support, and the sharing of experiences among patients. It is concluded that interactive practices can contribute to the humanization of care and the promotion of well-being during hemodialysis treatment.
Reading

Introdução/Contexto

A doença renal crônica em estágio terminal é uma condição que afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes, exigindo tratamentos renais substitutivos como a hemodiálise (NATIONAL KIDNEY FOUNDATION. KDOQI CLINICAL PRACTICE GUIDELINE FOR HEMODIALYSIS ADEQUACY. AM J KIDNEY DIS, V. 75, N. 3, P. S1-S124, 2020). A hemodiálise é um processo complexo que envolve a remoção de resíduos e excesso de líquidos do sangue, melhorando a função renal e reduzindo os sintomas associados à doença (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DOENÇA RENAL CRÔNICA: DIRETRIZES CLÍNICAS. BRASÍLIA: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2019.).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (2018), a doença renal crônica afeta cerca de 10% da população mundial, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade. Além disso, a hemodiálise pode ter impactos psicológicos e sociais significativos, incluindo estresse, ansiedade, depressão, isolamento social e perda da autonomia (SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. DIRETRIZES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA PARA O CUIDADO DO PACIENTE COM DOENÇA RENAL CRÔNICA. J BRAS NEFROL, V. 42, N. 2, P. 151-164, 2020.).

Estudos demonstram que práticas interativas podem ser uma estratégia eficaz para melhorar a adesão ao tratamento, reduzir o estresse e ansiedade, e promover uma melhor qualidade de vida (THOMAS, N. ET AL. EFEITOS DAS PRÁTICAS INTERATIVAS NO BEM-ESTAR DE PACIENTES EM HEMODIÁLISE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA. J REN CARE, V. 44, N. 1, P. 25-37, 2018.). Atividades como pintura, música, terapia ocupacional e grupos de apoio podem promover a interação social, reduzir o estresse e melhorar a autoestima.

No entanto, é importante destacar que a implementação de práticas interativas em hemodiálise ainda é um campo em desenvolvimento, com necessidade de mais pesquisas e estudos para avaliar sua eficácia e eficiência (JOURNAL OF RENAL CARE. PRÁTICAS INTERATIVAS EM HEMODIÁLISE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA. V. 46, N. 2, P. 73-85, 2020.).

Nesse contexto, este estudo relata a experiência de implementação de atividades interativas com 37 pacientes em hemodiálise.

Objetivos

O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia das atividades interativas na melhoria da saúde mental e física dos pacientes em hemodiálise, identificando as principais vantagens e desafios da implementação dessas práticas no cuidado desses pacientes.

Procedimentos/Implementação

O presente projeto foi desenvolvido por acadêmicos do curso de Enfermagem da Faculdade Serra Dourada, campus Altamira, Pará, no dia 5 (cinco) de novembro de 2024 (dois mil e vinte e quatro), no Hospital Regional Público da Transamazônica, localizado no município de Altamira, estado do Pará. Inicialmente, foram realizadas reuniões para a formulação do projeto. Em seguida, estruturamos um esboço que foi encaminhado ao setor de humanização do Hospital Regional Público da Transamazônica e aprovado.
Posteriormente, foi realizada uma visita de campo ao setor de hemodiálise do hospital para identificar possíveis ajustes no projeto. Com base nos dados coletados durante a visita técnica, os acadêmicos identificaram a ausência de atividades interativas com os pacientes do setor de hemodiálise, o que dificulta o enfrentamento da doença e torna o processo de diálise monótono devido ao longo tempo de espera, impactando negativamente a vida do paciente como um todo; saúde mental e física.
E por ser um tratamento, como foi mencionado acima, é monótono e acaba deixando os usuários entediados, podemos desenvolver sintomas de ansiedade, baixa autoestima e até mesmo desesperança, foi observado que algumas dessas pessoas se encontram solitárias, não tem apoio de familiares, visto isso, a equipe de estudantes de enfermagem, elaboraram uma pesquisa de como atividades interativas dentro do programa de hemodiálise pode influenciar positivamente na vida do paciente.
Os acadêmicos apresentaram atividades interativas como pintura em quadros, caixinha de perguntas, confecção de cartão de Natal, árvore da lembrança, jogo da memória, musicoterapia e caça palavras. Atividade essas que teve como seu principal intuito de promover lazer, conforto e distração ao longo do período de cada sessão. Antes da implementação das atividades, foi feito uma breve orientação aos pacientes sobre o objetivo da equipe com essas atividades, buscando o consentimento e interesse dos usuários, os participantes tiveram o acompanhamento dos integrantes da equipe, composta por estudantes de enfermagem do 6º período.
E no final da ação os acadêmicos deram a oportunidade dos pacientes participantes expressarem sua opinião sobre as atividades propostas, tendo em vista que foi um momento de interação e reflexão, conseguindo atender positivamente as necessidades dos mesmos e receber os feedbacks, visando a continuidade das ações voltadas para esse público, podendo assim, dar a oportunidade de ter um olhar holístico para os pacientes cadastrados no programa de hemodiálise.

Resultados/Indicadores

As atividades planejadas para a execução desta ação tiveram como propósito oferecer conforto, leveza, momentos de distração e interação aos pacientes em tratamento de Hemodiálise. Os pacientes que enfrentam essa realidade frequentemente a caracterizam como entediante, deprimente e exaustiva. Nesse sentido, as atividades propostas buscam incentivar a interação entre os pacientes, possibilitando o compartilhamento de suas experiências e a construção de uma rede de apoio mútuo.
No período da manhã, foram registradas 18 participações nas atividades propostas. Destas, sete ocorreram na confecção do Cartão de Natal, duas na Árvore da Lembrança, nove na Roda de Conversa e sete na Pintura em Quadros. As atividades Caça-Palavras e Jogo da Memória não apresentaram participação nesse turno.
Que tais atividades possam ser continuadas dentro do programa de Hemodiálise, colaborando para a melhoria da saúde mental desses pacientes e da adaptação ao tratamento.
A doença renal crônica é uma problemática que cresce no Brasil e a cada dia a incidência de novos casos atinge várias pessoas mundialmente. É observado pela quantidade de paciente na clínica de hemodiálise, tendo que realizar sessão durante 4 horas e no mínimo 3 vezes por semana.
Observou-se que durante as ações interativas realizadas pelo projeto, o paciente tem noção de tempo, tem perscepção da redução de tempo da sessão. Notou-se que as atividades interativas têm o poder de minimizar a tensão do tempo quanto a sessão do tratamento hemodiálico, e isto, foi algo que se percebeu de imediato pelos pacientes.
Durante o tempo de quatro horas que ficam interligado a máquina apresentam desconforto, irritabilidade. Na iniciativa de promover as atividades interativas, o objetivo foi propiciar o relaxamento durante a sessão de hemodiálise, minimizar o estresse a sobrecarga da terapia e distanciar da nova condição vivida.
Sendo assim, promover momentos de prazer, alegria, distração. Através da ação/atividade, foi notório que essa interação entre os pacientes possibilita percepção da redução quanto ao tempo de hemodiálise, e promove benefícios para distrair quanto à permanência das horas de hemodiálise (WENDY,2021).
Observou-se que a atividade interativa no setor de hemodiálise é muito importante, é um método muito novo na rotina da hemodiálise, e trouxe mudanças significativa na vida do paciente, tornando a vivência do setor hospitalar menos entediante e mais distrativa. A temática rompe a rotina funcional da sessão de hemodiálise e minimiza a demora do tempo de tratamento. Foi utilizado apresentação de roda de conversa, confecção de quadro de pintura, confeção de cartões de Natal, árvore das lembranças, jogo da memória, e música ao som da flauta indígena, promovendo um ambiente divertido e aconchegante. É uma ferramenta que possibilita a participação individual e em grupo fortalecendo o convívio social.
Durante a sessão de hemodiálise, alguns pacientes conversam com a equipe de enfermagem, dormem e lancham. Mas segundo relatado por alguns, o tempo parece não passar gerando desconforto, agonia e insatisfação, mesmo sabendo que estar ali para a recuperação da saúde. Portanto a ludicidade como atividade de interação possibilita alternativas cruciais para reduzir a mesmice da rotina da sessão, proporciona ao paciente momentos de descontração e entretenimento (WENDY, 2021).
Notou-se que as ações /atividades interativas geram nos pacientes momentos de alegria, e gratidão tanto com a equipe de enfermagem, quanto com os integrantes do projeto. A atividade estimula interação e comunicação entre os pacientes, e essa harmonia é essencial entre paciente e a equipe de enfermagem, propiciando um ambiente harmônico e prazeroso.
Foi notável a quantidade de paciente em tratamento hemodialítico, porém há
uma grande carência em relação as atividades distrativas e de prazer durante o procedimento da sessão de hemodiálise. O desenvolvimento de ações bem planejadas contribui para minimizar o tempo da sessão, e indubitavelmente promove o bem-estar emocional do paciente.
A aplicabilidade das ações interativas durante sessão de hemodiálise, substancialmente provoca a inovação, mas é um grande desafio como recurso terapêutico, por ser algo novo. A realização das práticas de interação mostrou-se ser benéfico os resultados positivos ao paciente, isso foi evidenciado na fala de alguns pacientes que relataram que o tempo passou rápido demais.
O tempo foi o fator de mais destaque entre os sujeitos da pesquisa, ficou claro que devido ao entretenimento as horas passaram despercebidas. E, minimizou os transtornos fisiológicos comuns ao período dialítico passaram despercebidos assim como o desconforto de estar interligado a máquina de hemodiálise, realizado tudo que foi proposto no projeto, obtivemos êxito e alcançamos nosso objetivo

Lições Aprendidas

As atividades interativas desenvolvidas com os pacientes de hemodiálise demostraram ser uma estratégia eficaz para melhorar a qualidade de vida, reduzir o estresse e aumentar a adesão ao tratamento. Ao desenvolver as atividades notamos que, é fundamental continuar desenvolvendo e implementando programas personalizados para atender ás necessidades específicas desses pacientes pois é um tempo longo onde trás uma certa ociosidade devido ao tempo parado ligado a máquina.

Conclusões/Recomendações

Observou-se no desenvolver das atividades uma grande adesão por parte dos pacientes, houve naquele momento uma melhoria do humor, um aumento de motivação e uma grande aceitação nas atividades desenvolvidas, demostrando assim que, há sim uma necessidade de implantação de programas de atividades interativas regulares nos setores de hemodiálise.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Doença renal crônica: diretrizes clínicas. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.

JOURNAL OF RENAL CARE. Práticas interativas em hemodiálise: uma revisão sistemática. v. 46, n. 2, p. 73-85, 2020.

NATIONAL KIDNEY FOUNDATION. KDOQI Clinical Practice Guideline for Hemodialysis Adequacy. Am J Kidney Dis, v. 75, n. 3, p. S1-S124, 2020.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Doença renal crônica. Genebra: OMS, 2018. Disponível em : https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_brasil_2018_analise_situacao_saude_doencas_agravos_cronicos_desafios_perspectivas.pdf. Acesso em: 2023.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Nefrologia para o cuidado do paciente com doença renal crônica. J Bras Nefrol, v. 42, n. 2, p. 151-164, 2020.

THOMAS, N. et al. Efeitos das práticas interativas no bem-estar de pacientes em hemodiálise: uma revisão sistemática. J Ren Care, v. 44, n. 1, p. 25-37, 2018.

COSTA, Iluska Pinto da; COSTA, Stéphany Pereira da; PIMENTA, Claúdia Jeane Lopes; LIMA, Rubens Félix de; BRITO, Maria José Menezes. "A importância das atividades lúdicas para a saúde mental do idoso institucionalizado: um relato de experiência". Il Congresso Brasileiro de Ciências da Saúde (CONBRACIS), n. p , 2016.

. Rabelo, S.E., & Padilha, M. I. C. S. (1998). A atividade lúdica no processo educativo ao cliente

diabético adulto. Texto & Contexto - Enfermagem, 7(3), 106-117.

. Romão Junior, J. E. (2004). Doença renal crônica: definição, epidemiologia e classificação.

Jornal Brasileiro de Nefrologia, 26(3 Suppl 1), 1-3. Recuperado de

http://www.jbn.org.br/details/1183/en-US/doenca-renal-cronica--definicao--epidemiologia-e-classificacao.

Achterberg . I.(1996).A imaginação na cura: xamanismo e medicina moderna. São Paulo, SP: Summus

Da silvaW. L .C.; MagalhãesA. C. M.; Carvalho da silvaM. Do P. S. D.; da CostaR. B.;de OliveiraM. S.;MendonçaO. A. B.; MariaA. C. B.; de MeloM. G.; CardosoN. A.; RiveraM do R. O uso da ludicidade durante o tratamento hemodialítico : vivências de acadêmicas de enfermagem . Revista Eletrônica Acervo Saúde,v 13,n 2, p. e6349, 26 fev. 2021.