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Artículo · Revista Trivento

EM PACIENTES COM FIBROMIALGIA, O EXERCÍCIO FÍSICO É MAIS EFICAZ QUE O TRATAMENTO CONVENCIONAL NA MELHORA DOS SINTOMAS DE DOR, FADIGA E QUALIDADE DE VIDA?

Autor(a):Ana Vitória Silva de Souza, Raylane Dias Carvalho, Danikelle Fernandes da Silva Revisor(a):Morgana Myriam da Silva
Publicado el31/05/2026 Palabras clave:Fibromialgia. Exercício físico. Dor. Qualidade de vida.
A fibromialgia é uma doença crônica que possui etiologia desconhecida e que tem maior prevalência em mulheres. Tal doença provoca sintomas como dor generalizada e outros que afetam negativamente a vida dos portadores, a partir disso, o objetivo deste trabalho é avaliar a eficácia do exercício físico na melhora dos sintomas de dor, fadiga e qualidade de vida em pacientes com fibromialgia, em comparação ao tratamento convencional. Para isso, a proposta do estudo é responder à pergunta problema gerada pela estratégia de busca PICO, respondida na seção discussão. O presente estudo se trata de uma revisão de literatura do tipo escopo, possui abordagem qualitativa e analisou 17 artigos selecionados através de critérios de inclusão e exclusão. Como resultado, conclui-se que não há como o exercício físico ser mais eficaz que o tratamento convencional, visto que o mesmo conta também com o tratamento não farmacológico, que é desenvolvido através de práticas de exercício físico.
Lectura

Resultados

3.1 SELEÇÃO DO ESTUDO

A pesquisa de busca por estudos para esta revisão resultou no encontro de um número superior a 100. Já incluindo os critérios de inclusão e exclusão foram obtidos 40 trabalhos (devido ao prazo de produção). Desse número, restaram apenas 25, que posteriormente diminuíram até chegar a 18, pelo fato de alguns trabalhos não serem tão abrangentes e tratarem sobre temas muito específicos. Antes do número final, ainda foi excluído 1 artigo, que atendia a todos os critérios, porém, não apresentava organização em seções na exposição do conteúdo (o artigo em questão que possui todos os critérios de elegibilidade, mas não entrou nesta revisão tem como título “Exercício físico e educação em saúde na fibromialgia”, o qual possui dois autores: Antunes & Marques, 2024). Por fim, chegamos a um total de 17 artigos que serão utilizados nesta revisão.

A tabela a seguir apresenta as principais informações dos artigos utilizados nesta revisão do tipo escopo. Ela contempla título, autor, ano, método, resultados e conclusão.
3.2 RESULTADOS DAS SÍNTESES

A fibromialgia é definida como uma patologia crônica, caracterizada por dor difusa que se manifesta no sistema músculo esquelético. Manifestam-se outros sintomas como fadiga, distúrbios de sono e de memória, dores de cabeça, ansiedade e depressão. A causa dessa síndrome ainda é desconhecida, mas há suposições de que esteja relacionada à sensibilização do sistema nervoso central (SNC), distúrbios do sistema neuroendócrino e inflamação fascial generalizada (Matos et al., 2021).
Por conta do seu caráter crônico e pela diversidade de sintomas causados pela doença, seu tratamento baseia-se numa abordagem multiprofissional, com intervenções no âmbito físico, farmacológico, cognitivo-comportamental e educacional. Os tratamentos não farmacológicos contam com recursos da eletroterapia, acupuntura, técnicas de terapia manual, alongamentos, exercícios aeróbicos e fortalecimento muscular (Matos et al., 2021). O tratamento farmacológico conta possivelmente em sua maioria com os antidepressivos, usados no tratamento de manutenção (Friedrich, Uhde & Zanini, 2020). Os tratamentos farmacológicos são prescritos com o objetivo de atenuar alguns sintomas, no qual apenas 10% a 25% dos tratados alcançam uma redução de 50% na intensidade da dor (Santos et al., 2024).
As modalidades de exercício físico que aparecem com mais frequência para intervir no tratamento da fibromialgia são caminhadas, hidroterapia e treinamento de força, respectivamente. A hidroterapia é recomendada e bem aceita por parte dos pacientes que não se adequam a corridas e caminhadas (Oliveira & Claro, 2020). Os exercícios aquáticos, resistido e combinado foram eficazes na melhora da fadiga e do condicionamento físico (Souza et al.,2025). Grande parte dos estudos correlacionam as melhoras dos sintomas da fibromialgia à prática de exercícios aeróbicos ou exercícios de força, mas não existem fortes evidências de que de fato essas sejam as modalidades mais eficazes. Os portadores da fibromialgia que praticam exercícios possuem níveis mais baixos de proteína C-reativa, e outras substâncias, que estimulam a passagem de estímulo doloroso, assim, detém menos pontos de dor e vivem com mais qualidade de vida (Arantes et al., 2022).
A maioria dos pacientes portadores de fibromialgia fazem uso de medicina complementar alternativa (CAM), em busca da diminuição dos sintomas, com melhora da qualidade de vida. Entre as diversas práticas apresentadas pelo CAM, a massagem terapêutica apresentou a melhor evidência clínica em relação a melhora dos sintomas, causando uma diminuição significativa na dor dos pacientes, na depressão e ansiedade. Após serem questionados sobre a eficácia dos diversos tratamentos, os pacientes fibromiálgicos confirmaram que as CAM possuem um resultado mais positivo e animador na diminuição dos sintomas quando comparados a terapia farmacológica (Miguel et al., 2019).

Discussão

4.1 CARACTERIZAÇÃO DA FIBROMIALGIA

A fibromialgia é uma síndrome clínica complexa, caracterizada principalmente por dor crônica difusa, fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas. Trata-se de uma condição multifatorial, cuja etiologia permanece desconhecida. Evidências científicas indicam que fatores genéticos, neuroendócrinos, ambientais e psicossociais podem estar envolvidos na sua fisiopatologia, especialmente por meio de um mecanismo de sensibilização central, que resulta em uma amplificação da percepção da dor, mesmo sem estímulos nocivos evidentes (Claus, 2014; Wolfe et al., 2010).
A ausência de exames laboratoriais específicos e a sobreposição com outras condições clínicas tornam o diagnóstico um desafio. Atualmente, os critérios do American College of Rheumatology (ACR) atualizados em 2016 propõem o diagnóstico com base em sintomas clínicos autorrelatados, como a dor generalizada por pelo menos três meses, além de fadiga, sono não reparador e comprometimento cognitivo (Wolfe et al., 2016).

4.2 IMPACTOS NA QUALIDADE DE VIDA

A fibromialgia compromete significativamente a qualidade de vida dos indivíduos acometidos. Os pacientes relatam limitações funcionais, redução na capacidade laboral, dificuldades nos relacionamentos interpessoais e elevada prevalência de sintomas ansiosos e depressivos. A dor crônica, combinada com o cansaço extremo e o sono não restaurador, reduz drasticamente o bem-estar físico e mental.
Estudos comparativos indicam que os escores de qualidade de vida dos pacientes com fibromialgia são, frequentemente, inferiores aos de pacientes com outras doenças reumáticas, como a artrite reumatoide, o que evidencia a gravidade do impacto funcional e emocional dessa condição (Bennett et al., 2007).

4.3 ABORDAGENS TERAPÊUTICAS CONVENCIONAIS

O tratamento da fibromialgia segue diretrizes internacionais que recomendam a combinação de terapias farmacológicas e não farmacológicas. Os fármacos mais utilizados incluem antidepressivos tricíclicos, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, anticonvulsivantes e analgésicos específicos. No entanto, a eficácia dessas medicações é limitada e frequentemente associada a efeitos adversos (Arnold; Clauw; Mccarberg, 2016).
Por outro lado, as intervenções não farmacológicas têm ganhado destaque como estratégias terapêuticas de primeira linha. Dentre essas, destacam-se a educação em saúde, a terapia cognitivo-comportamental, técnicas de relaxamento e, sobretudo, a prática regular de exercícios físicos, que demonstram resultados positivos na redução dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida (Macfarlane et al., 2017).

4.4 PAPEL DO EXERCÍCIO FÍSICO

Diversos estudos confirmam que o exercício físico, especialmente o aeróbico e o resistido, contribui de forma significativa para a redução da dor, da fadiga e da rigidez muscular em pacientes com fibromialgia. Além disso, promove benefícios no humor, na cognição e na qualidade do sono. A prática regular de atividade física está associada a melhores desfechos clínicos e é considerada uma das intervenções não farmacológicas mais eficazes (Busch et al., 2011; Bidonde et al., 2017).
A literatura científica reforça que o exercício deve ser adaptado à condição de cada paciente, respeitando os limites físicos e emocionais, de modo a evitar o agravamento dos sintomas. Protocolos supervisionados e progressivos tendem a apresentar melhores resultados, com maior adesão e segurança.

4.5 RESPOSTA À PERGUNTA DE PESQUISA (PICO)

A pergunta que norteou esta revisão foi: “Em pacientes com fibromialgia, o exercício físico é mais eficaz que o tratamento convencional na melhora dos sintomas de dor, fadiga e qualidade de vida?”. Após análise dos estudos incluídos, observa-se que o exercício físico não pode ser considerado superior ao tratamento convencional, uma vez que ele já está inserido como componente essencial das diretrizes terapêuticas convencionais (Macfarlane et al., 2017).
Portanto, ao se comparar o exercício físico de forma isolada com o tratamento convencional, a análise se torna metodologicamente inconsistente, visto que o tratamento padrão da fibromialgia já inclui o exercício físico como elemento terapêutico. Logo, não é possível afirmar que o exercício físico é mais eficaz do que o tratamento convencional, pois ambos fazem parte do mesmo modelo terapêutico multidisciplinar.
Para que a pergunta pudesse ser respondida de forma afirmativa, seria necessário que o tratamento convencional excluísse práticas não farmacológicas, o que não corresponde à realidade atual das diretrizes clínicas. Assim, essa comparação é considerada redundante.

Referências

ARANTES, Matheus de Oliveira et al. Fibromialgia e exercícios físicos: uma revisão de literatura. E-Acadêmica, v. 3, n. 1, p. e2331122–e2331122, 23 abr. 2022. ARNOLD, L. M.; CLAUW, D. J.; MCCARBERG, B. H. Improving the recognition and diagnosis of fibromyalgia. Mayo Clinic Proceedings, Rochester, v. 86, n. 5, p. 457-464, 2016. BENNETT, R. M. et al. The Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR): validation and psychometric properties. Arthritis Research & Therapy, London, v. 11, n. 4, p. R120, 2007. BIDONDE, J. et al. Aquatic exercise training for fibromyalgia. Cochrane Database of Systematic Reviews, London, n. 3, CD011336, 2017. BUSCH, A. J. et al. Resistance exercise training for fibromyalgia. Cochrane Database of Systematic Reviews, London, n. 12, CD010884, 2011. CLAUS, D. J. Fibromyalgia: A clinical review. Journal of the American Medical Association, Chicago, v. 311, n. 15, p. 1547–1555, 2014. COUTO, L. A. et al. Avaliação do agenciamento de autocuidados e sua associação com sintomas e qualidade de vida em indivíduos com fibromialgia. Fisioterapia e Pesquisa, v. 27, n. 2, p. 140–146, jun. 2020. FRIEDRICH, J. V.; UHDE, S. P. R.; ZANINI, E. D. O. FIBROMIALGIA: IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DA DOENÇA E SEUS TRATAMENTOS. FAG JOURNAL OF HEALTH (FJH), v. 2, n. 2, p. 307–314, 14 jun. 2020a. GOMES DE CARVALHO, C. OS BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA ASSOCIADA À SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL PARA OS PORTADORES DE FIBROMIALGIA. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, v. 4, n. 10, p. e4104264, 27 out. 2023a. MACFARLANE, G. J. et al. EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia. Annals of the Rheumatic Diseases, London, v. 76, n. 2, p. 318–328, 2017. MATOS, Emilli; BORGES, Laira; NOGUEIRA, Viviane; MULLER, Karla; ROTTA, Márcia. EFEITOS DA TERAPIA MANUAL SOBRE A DOR EM PACIENTES COM FIBROMIALGIA – REVISÃO DE LITERATURA. [s. l.], 2021. MIGUEL, Lp et al. MELHORA DA QUALIDADE DE VIDA DOS PACIENTES COM FIBROMIALGIA QUE FAZEM USO DE PRÁTICAS COMPLEMENTARES. In: São Paulo: Editora Blucher, dez. 2022. Disponível em: . Acesso em: 19 maio. 2025. MOREIRA SOUZA, A. et al. Impactos do exercício físico em adultos portadores de fibromialgia: revisão narrativa. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 3, p. 1291–1299, 13 mar. 2025. OLIVEIRA, Bruno; CLARO, Renan. O PAPEL DO EXERCÍCIO FÍSICO EM PACIENTES COM FIBROMIALGIA. 1. v. 2, p. 11, 2020. SANTOS, Jeovana Arlessa Vidal Dos et al. Importância da atividade física no tratamento da síndrome de fibromialgia. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 12, p. 1876–1894, 16 dez. 2024. WOLFE, F. et al. 2016 Revisions to the 2010/2011 fibromyalgia diagnostic criteria. Seminars in Arthritis and Rheumatism, New York, v. 46, n. 3, p. 319-329, 2016. WOLFE, F. et al. The American College of Rheumatology preliminary diagnostic criteria for fibromyalgia and measurement of symptom severity. Arthritis Care & Research, Hoboken, v. 62, n. 5, p. 600–610, 2010.

Referências

ARANTES, Matheus de Oliveira et al. Fibromialgia e exercícios físicos: uma revisão de literatura. E-Acadêmica, v. 3, n. 1, p. e2331122–e2331122, 23 abr. 2022. ARNOLD, L. M.; CLAUW, D. J.; MCCARBERG, B. H. Improving the recognition and diagnosis of fibromyalgia. Mayo Clinic Proceedings, Rochester, v. 86, n. 5, p. 457-464, 2016. BENNETT, R. M. et al. The Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR): validation and psychometric properties. Arthritis Research & Therapy, London, v. 11, n. 4, p. R120, 2007. BIDONDE, J. et al. Aquatic exercise training for fibromyalgia. Cochrane Database of Systematic Reviews, London, n. 3, CD011336, 2017. BUSCH, A. J. et al. Resistance exercise training for fibromyalgia. Cochrane Database of Systematic Reviews, London, n. 12, CD010884, 2011. CLAUS, D. J. Fibromyalgia: A clinical review. Journal of the American Medical Association, Chicago, v. 311, n. 15, p. 1547–1555, 2014. COUTO, L. A. et al. Avaliação do agenciamento de autocuidados e sua associação com sintomas e qualidade de vida em indivíduos com fibromialgia. Fisioterapia e Pesquisa, v. 27, n. 2, p. 140–146, jun. 2020. FRIEDRICH, J. V.; UHDE, S. P. R.; ZANINI, E. D. O. FIBROMIALGIA: IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DA DOENÇA E SEUS TRATAMENTOS. FAG JOURNAL OF HEALTH (FJH), v. 2, n. 2, p. 307–314, 14 jun. 2020a. GOMES DE CARVALHO, C. OS BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA ASSOCIADA À SUPLEMENTAÇÃO NUTRICIONAL PARA OS PORTADORES DE FIBROMIALGIA. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, v. 4, n. 10, p. e4104264, 27 out. 2023a. MACFARLANE, G. J. et al. EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia. Annals of the Rheumatic Diseases, London, v. 76, n. 2, p. 318–328, 2017. MATOS, Emilli; BORGES, Laira; NOGUEIRA, Viviane; MULLER, Karla; ROTTA, Márcia. EFEITOS DA TERAPIA MANUAL SOBRE A DOR EM PACIENTES COM FIBROMIALGIA – REVISÃO DE LITERATURA. [s. l.], 2021. MIGUEL, Lp et al. MELHORA DA QUALIDADE DE VIDA DOS PACIENTES COM FIBROMIALGIA QUE FAZEM USO DE PRÁTICAS COMPLEMENTARES. In: São Paulo: Editora Blucher, dez. 2022. Disponível em: . Acesso em: 19 maio. 2025. MOREIRA SOUZA, A. et al. Impactos do exercício físico em adultos portadores de fibromialgia: revisão narrativa. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 3, p. 1291–1299, 13 mar. 2025. OLIVEIRA, Bruno; CLARO, Renan. O PAPEL DO EXERCÍCIO FÍSICO EM PACIENTES COM FIBROMIALGIA. 1. v. 2, p. 11, 2020. SANTOS, Jeovana Arlessa Vidal Dos et al. Importância da atividade física no tratamento da síndrome de fibromialgia. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 12, p. 1876–1894, 16 dez. 2024. WOLFE, F. et al. 2016 Revisions to the 2010/2011 fibromyalgia diagnostic criteria. Seminars in Arthritis and Rheumatism, New York, v. 46, n. 3, p. 319-329, 2016. WOLFE, F. et al. The American College of Rheumatology preliminary diagnostic criteria for fibromyalgia and measurement of symptom severity. Arthritis Care & Research, Hoboken, v. 62, n. 5, p. 600–610, 2010.

Introdução

A fibromialgia é uma síndrome clínica caracterizada pela presença de dor crônica generalizada, sensibilidade exacerbada em pontos anatômicos específicos e uma série de manifestações associadas, como fadiga persistente, distúrbios do sono, sintomas de ansiedade e depressão. Essa condição é reconhecida como uma disfunção do sistema nervoso central, que resulta em uma falha dos mecanismos naturais de supressão da dor, tornando os pacientes hipersensíveis a estímulos que normalmente não seriam dolorosos. A prevalência da fibromialgia é notoriamente maior entre mulheres, em uma proporção de 9:1 em relação aos homens, sendo mais comum na faixa etária entre 40 e 55 anos, embora possa acometer indivíduos em qualquer fase da vida. Devido à intensidade e à persistência dos sintomas, a síndrome impacta profundamente a qualidade de vida dos pacientes, causando limitações funcionais severas que dificultam a realização de atividades diárias e várias áreas da vida (Friedrich, Uhde & Zanini, 2020).
Como síndrome reumatológica crônica, a fibromialgia é marcada pela presença constante de dor generalizada, fadiga intensa e prejuízos funcionais significativos, que impactam diretamente a vida dos pacientes. A dor crônica, difusa por múltiplas regiões do corpo, persiste por mais de três meses e é frequentemente acompanhada de rigidez muscular, tornando difíceis até atividades cotidianas simples, como caminhar, subir escadas ou realizar tarefas domésticas. A fadiga constante, por sua vez, não se alivia com o repouso e gera um ciclo de exaustão física e mental, comprometendo a capacidade de concentração, a produtividade no trabalho e o engajamento social. Desse modo, a carreira profissional, a qualidade do sono e a vida social são afetados negativamente por essa doença (Couto et al., 2020).
No tratamento convencional da doença, existem tanto os farmacológicos, quanto os não farmacológicos. Entre os farmacológicos, os antidepressivos provavelmente são os mais utilizados no tratamento de manutenção, que utilizados entre duas a três horas antes de deitar podem melhorar a dor e a qualidade do sono. No tratamento não farmacológico, há a indicação de realizar exercícios musculoesqueléticos, sendo os mais efetivos os exercícios de baixa intensidade, ou aquele em que o indivíduo é capaz de identificar o limite do seu esforço e dor, ou ainda, programas individualizados de exercícios aeróbicos (Friedrich, Uhde & Zanini, 2020).
Pacientes que não possuem o hábito de praticar atividade física ficam mal condicionados e como consequência tem a diminuição da capacidade cardiovascular e da circulação periférica, o que causa cansaço e dores que interferem na qualidade de vida. Sendo assim, o exercício físico pode ajudar esses pacientes, pois os mesmos ajudam a melhorar a condição física, aumentam a mobilidade articular e a força muscular, entre vários outros benefícios (Carvalho, 2023). As modalidades descritas com mais frequência para intervenção com exercícios são caminhadas, hidroterapia e treinamento de força, respectivamente (Oliveira & Claro, 2020).
Em portadores de fibromialgia, exercícios físicos ajudam no relaxamento e fortalecimento muscular, também diminuem a dor e melhoram a qualidade do sono. Os exercícios físicos estimulam a liberação de endorfinas, por isso os mesmos apresentam efeito analgésico, além de evitarem o uso de fármacos, por funcionarem como antidepressivo natural (Oliveira & Claro, 2020). Fadiga e baixa tolerância ao exercício acometem portadores da doença, nesse contexto, a combinação de exercícios aquáticos e resistido se mostra capaz de melhorar esses problemas e ajudar no condicionamento físico. As diversas modalidades de exercício físico demonstram importância por serem capazes de contribuir para o tratamento não farmacológico da doença, visto que um fator que colabora para a intensidade dos sintomas da fibromialgia é o sedentarismo (Souza et al., 2025).
Portanto, o objetivo geral deste artigo é avaliar a eficácia do exercício físico na melhora dos sintomas de dor, fadiga e qualidade de vida em pacientes com fibromialgia, em comparação ao tratamento convencional. Os objetivos específicos são: analisar o impacto do exercício físico na redução da dor em pacientes com fibromialgia; analisar a influência do exercício físico na fadiga de pacientes com fibromialgia; e verificar a melhora na qualidade de vida de pacientes com fibromialgia após a prática de exercício físico.

Métodos

Trata-se de um estudo de revisão de literatura do tipo escopo que busca responder a seguinte pergunta elaborada pela estratégia de busca e pesquisa PICO: “Em pacientes com fibromialgia, o exercício físico é mais eficaz que o tratamento convencional na melhora dos sintomas de dor, fadiga e qualidade de vida?”
Componentes da estratégia PICO, relacionando-os ao nosso trabalho:
P (População/Paciente): fibromialgia
I (Intervenção): exercício físico
C (Comparação): dor
O (Outcome/Desfecho): qualidade de vida
Após a definição da pergunta problema que deve ser respondida neste trabalho, foram estabelecidas etapas para a conduzir esta revisão de literatura. As etapas são mostradas no esquema a seguir:
2.1 CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE

Os critérios de inclusão e exclusão de trabalhos para esta revisão foram dois: estudos que poderiam variar seu ano de produção e lançamento entre 2007 até o presente ano e produções que falassem obrigatoriamente sobre o tema fibromialgia, relacionando a doença ao exercício físico, ao tratamento convencional e a informações gerais. Esses trabalhos foram agrupados para a síntese de acordo com sua contribuição de informações para o trabalho.

2.2 FONTES DE INFORMAÇÃO

Todas as literaturas analisadas nesta revisão foram retiradas das Bases de Dados do Google Acadêmico através de uma pesquisa feita conforme as necessidades e especificações desta revisão. A última pesquisa em busca do material data do mês de março do ano de produção deste artigo.

2.3 ESTRATÉGIA DE PESQUISA

As estratégias de pesquisa foram buscar por trabalhos que falassem sobre a fibromialgia. Os estudos salvos foram submetidos aos critérios de elegibilidade, posteriormente às pesquisas, para se decidir quais trabalhos seriam incluídos e quais seriam excluídos desta análise de revisão. As pesquisas foram realizadas utilizando-se as palavras chaves deste trabalho: fibromialgia, exercício físico, dor e qualidade de vida. O limite utilizado na estratégia de pesquisa foi reduzir as obras somente a artigos.

String de busca:
“fibromialgia” ou “exercício físico” ou “dor” ou “qualidade de vida”

2.4 PROCESSO DE SELEÇÃO

Após os trabalhos passarem pelos critérios de elegibilidade e serem aprovados, passaram ainda por um processo de seleção para decidir se um estudo atendeu aos critérios de inclusão da revisão. Os critérios de inclusão de estudos nesta revisão foram brandos, se estendendo apenas a obrigatoriedade de tratar sobre a fibromialgia, seja abordando aspectos gerais, a relação fibromialgia x exercício físico, ou mesmo o tratamento convencional da doença.

2.5 PROCESSO DE COLETA DE DADOS

O método usado para coletar dados para este trabalho, foi verificar se os estudos atendiam a necessidade desta revisão, ou seja, se as informações trazidas por esses materiais eram relevantes para a questão em discussão e os tornariam aptos a seleção. Este trabalho conta com três revisores, a retirada de dados foi feita de maneira conjunta ou individual, conforme a necessidade e a demanda em determinados momentos.

Conclusões

Segundo os materiais da literatura científica analisados, os sintomas da patologia crônica fibromialgia apresentam melhoras em pacientes que praticam exercícios físicos, ou seja, essa prática traz mais qualidade de vida para os portadores da doença. Os exercícios aeróbicos, como por exemplo caminhadas, são os mais citados.
A partir disso, e também a partir do que já afirmam os artigos analisados nesta revisão, é de extrema importância se ter o exercício físico como parte do tratamento da fibromialgia, como já ocorre no tratamento não farmacológico da doença.
Diante dos resultados, ficou clara a necessidade de pesquisas e o desenvolvimento de novas alternativas quanto ao tratamento farmacológico. De acordo com o que foi descrito nos estudos, a base do tratamento com fármacos são os antidepressivos, contudo, a porcentagem de pacientes que apresentam redução dos sintomas é muito baixa. Além disso, o resultado adquirido pelos portadores que utilizam antidepressivos também possui uma porcentagem baixa, sendo apenas 50% na redução da intensidade do sintoma de dor. Logo, é insuficiente a eficácia do tratamento com fármacos, se tornando necessário melhoras.