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Artigo · Revista Trivento

EDUCAÇÃO EM SAÚDE: PREVENÇÃO DA DENGUE E CONSCIENTIZAÇÃO DA NOVA VACINA.

Autor(a):LUCAS NERES SANTOS, MARIA NILZA MACIEL DOS SANTOS, MARLISON VIEIRA RIBEIRO, JAINE AGUIAR EMERCIANO Revisor(a):Morgana Myriam da Silva
Publicado em02/06/2026 Palavras-chave:Dengue. Vacina Qdenga®. Educação em saúde. Estratégia Saúde da Família. Prevenção.
Este trabalho descreve uma experiência de educação em saúde realizada na comunidade Vila Pacal, em Medicilândia-PA, com foco na prevenção da dengue e na conscientização sobre a nova vacina Qdenga®. A iniciativa foi desenvolvida por acadêmicos de enfermagem, que realizaram busca ativa nas residências, orientações sobre eliminação de criadouros do Aedes aegypti e esclarecimentos sobre a vacina, seu esquema vacinal, contraindicações e benefícios. A ação identificou baixa adesão à vacinação e falta de informação adequada entre as famílias, além de dificuldades no acesso devido ao fechamento temporário da sala de vacinas da comunidade. Durante as visitas, também foram encontrados potenciais focos do mosquito e indivíduos com sintomas sugestivos, posteriormente encaminhados à unidade de saúde. A intervenção estimulou o interesse da população, resultando em maior mobilização municipal, incluindo campanha de vacinação local. O projeto evidenciou a importância de ações educativas e do papel ativo do enfermeiro na atenção primária, reforçando a necessidade de comunicação clara, combate às fake news e fortalecimento das práticas preventivas de arboviroses. A experiência contribuiu tanto para a formação dos acadêmicos quanto para a ampliação do conhecimento e da segurança da comunidade em relação à prevenção da dengue e à imunização.
Leitura

Referências

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Resultados/Indicadores

Os resultados do projeto mostram que a comunidade da Vila Pacal obtinha pouca informação sobre a nova vacina da dengue. Das 23 famílias visitadas, apenas duas sabiam da existência da vacina, e nenhuma delas havia se vacinado. Isso aconteceu também porque a sala de vacinação da unidade da comunidade pacal não estava funcionando, o que dificultou o acesso da população. Durante as visitas, muitas pessoas demonstraram medo e dúvidas sobre a vacina, principalmente por ser nova.

Esse receio surgiu por falta de informação clara, e por isso foi importante explicar sobre o vírus atenuado, quem pode tomar a vacina e como ela funciona. Foi notório que o conhecimento ineficaz sobre vacinas entre o público alvo contribui para a baixa cobertura, enquanto Pereira et al. (2022) apontam que o não acolhimento de familiares na realização da vacinação como uma grande barreira. Também foi possível observar problemas de prevenção no ambiente.

Em uma das casas, por exemplo, foi encontrada uma lona com água acumulada há mais de uma semana, o que representa risco para o surgimento do mosquito da dengue. Situações como essa mostram que, muitas vezes, pequenos detalhes passam despercebidos pela população. As visitas realizadas junto com a Agente Comunitária de Saúde ajudaram bastante, porque permitiram orientar as famílias de forma direta, no próprio ambiente delas.

As pessoas receberam bem as explicações, fizeram perguntas e demonstraram interesse em entender melhor sobre os sintomas, cuidados e prevenção da dengue. Durante a ação, foram identificadas três pessoas com sintomas sugestivos de dengue, que foram encaminhadas para realizar o teste rápido na unidade básica de atendimento. Isso mostra que esse tipo de projeto ajuda na detecção precoce de possíveis casos.

Depois da intervenção, a Prefeitura realizou uma campanha de vacinação na comunidade e ativou a sala de vacinas por um dia, o que indica que o projeto conseguiu chamar atenção para a necessidade de melhorar a oferta de vacinação no território. De forma geral, o projeto mostrou que a falta de informação, a dificuldade de acesso à vacina e a presença de focos no quintal são fatores que atrapalham a prevenção da dengue.

Ações educativas na área da saúde são de extrema importância para aumentar o número de adesão as campanhas de imunização (Carvalho, 2024; Silva, 2023). Fora isso, a presença constante dos profissionais de saúde, principalmente os enfermeiros, na escuta e no direcionamento das famílias durante o processo de vacinação mostra-se crucial para a construção de confiança e reduzir a hesitação (Pereira et al., 2022; Iliadou et al., 2021).

Para então orientar as famílias, esclarecer dúvidas, combater fake news e reforçar a importância da vacinação e da eliminação de focos do mosquito. Pois pesquisas e estudos trazem evidencias que comprovam que as fake News juntamente com o movimento antivacina, trazem impactos negativos a cobertura vacinal, como evidenciado por Silva et al. (2023) e Ramos et al. (2023). Os profissionais de enfermagem têm um papel indispensável nesse cenário.

Estudos como o de Pereira et al. (2022), ressaltam que a atuação dos enfermeiros na atenção primaria e decisiva no atendimento inicial e na orientação dos usuários. A atenção primaria a saúde exerce uma função central nesse processo, funcionando como uma porta de entrada para a imunização e como um espação de recepção ao usuário e de esclarecimento das informações ( Carvalho et al., 2023; Mongua-Rodriguez et al., 2024).

Procedimentos/Implementação

Este trabalho tem como propósito relatar a experiência vivida na elaboração do projeto de Experiência Aplicada em Assistência-Clínica, pelos acadêmicos de enfermagem da Faculdade Serra Dourada, campus Altamira. Trata-se de um relato de experiência vivenciada pelos acadêmicos, em uma abordagem descritiva desde o primeiro momento em sala de aula. O docente concedeu autonomia à turma para a seleção da temática a ser abordada, após discursões e ponderações sobre as diversas possibilidades, o grupo de acadêmicos manifestou interesses distintos.
Desse modo, quatro acadêmicos optaram por desenvolver atividade à temática da imunização, mas com o tema voltada para a dengue e ênfase na vacinação da nova vacina da dengue a Qdenga. Inicialmente os acadêmicos realizaram uma pesquisa in loco nos municípios de Vitória do Xingu, Brasil Novo e Medicilândia sobre a temática da imunização, propuseram-se realizar uma pesquisa prévia sobre a dengue e a relevância da vacinação, inclusive a vacina Qdenga. Como medidas de saúde pública e prevenção de arboviroses. Esta fase inicial foi fundamental para embasar o trabalho e as ações de conscientização subsequente.
Com base nos dados coletados, foi possível perceber que o município de Medicilândia/PA, na comunidade Vila Pacal há baixa procura vacinal por parte da população. Os acadêmicos de enfermagem resolveram desenvolver a ação sobre a adesão e a conscientização vacinal da nova vacina da dengue a Qdenga. Para reforçar a importância da vacinação e garantir uma melhor cobertura vacinal e combater mitos e hesitação vacinal. A princípio o problema parecia complexo devido ao desconhecimento.
Mas os acadêmicos realizaram pesquisas em fontes confiáveis como o Ministério da Saúde, SBIm, Instituto Fiocruz, PNI e em Artigos Científicos, que permitiu um entendimento mais aprofundado. Os artigos não relacionados ao objetivo do projeto foram descartados e utilizados apenas os que se enquadravam no projeto, a fim de garantir a pertinência e a relevância das informações para a abordagem da temática.
Diante disso, os acadêmicos seguem na elaboração do pré-projeto, expondo a temática do projeto, os dados coletados e como seguiria a etapa de execução e quais materiais seriam utilizados para desenvolver a ação. O pré-projeto foi apresentado no dia 17/09/2025 a Secretaria Municipal de Saúde de Medicilândia e ao enfermeiro Sergio da Estratégia Saúde da Família Deborah Benathar Malato que não mediram esforços para apoiar a realização da ação.
No dia 04/11/2025 às 07h:15m inicia a ação de promoção, prevenção e conscientização da dengue com ênfase na vacinação da nova vacina Qdenga, em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde. A ACS da comunidade ajudou na busca ativa nas residências das famílias, direcionando os acadêmicos nas casas das famílias que estavam dentro do projeto na faixa etária de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Na execução do projeto através da busca ativa os acadêmicos de enfermagem do 8º período, orientaram as famílias sobre a importância da vacinação, e para que as mesmas buscassem a Unidade de Atendimento mais próxima ou qualquer outra dentro da sede do município para realizarem a vacinação, também esclareceram sobre os cuidados para eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti, a fim de deixar exposto a importância e relevância da vacina Qdenga, incorporada ao SUS desde de dezembro de 2023, mas oferecida para a faixa etária de 10 a 14 anos somente em fevereiro de 2024.
Foram informados que na rede privada a vacina estar disponível para pessoas de 04 a 60 anos soro negativo e soro positivo, e que a oferta pelo SUS abrange apenas crianças e adolescentes entre 10 a 14 anos. Isso se dá por conta do alto índice de infecções e hospitalizações para essa faixa etária, e que o esquema vacinal é de duas doses, e o intervalo é de três meses entre a primeira e segunda dose, e que é essencial o retorno para aplicação da segunda dose, e para a eficácia e segurança da vacinação.
Porém, a contraindicação da vacina Qdenga ela é contraindicada para pessoas grávidas, lactantes, pessoas com imunodeficiência e pessoas com alergias grave a alguns componentes da vacina. Citou-se também que pessoas que se vacinaram podem ainda serem infectadas, mas os sintomas serão mais leves e não precisará de internação. E que pessoas que foram infectadas e caso não tenham ainda se vacinado devem esperar um intervalo de seis meses para se vacinarem.
Para uma melhor exposição e compreensão do projeto, foi deixado na Estratégia Saúde da Família, um banner e folders contendo informações sobre a dengue e a vacina Qdenga. Esses materiais foram desenvolvidos com o intuito de atrair a atenção das pessoas que buscam atendimento na comunidade, a ação de promoção, prevenção e conscientização foi finalizada as 12h:15m, proporcionando uma visão aprofundada da situação vivida pelos comunitários.
Portanto a meta através da intervenção busca ativa domiciliar, foi com que as famílias e a comunidade entendam e repassem a importância da vacinação, pois quando as pessoas se vacinam, elas não apenas protegem a si, mas também contribui para prevenção e controle de doenças infecciosas em toda a sociedade. Na microárea da ACS que acompanhou a realização da ação junto aos acadêmicos, tem cadastradas cento e vinte uma família, mas apenas trinta e uma famílias fazem parte do projeto, porém somente vinte e três famílias conseguiram-se chegar ao objetivo de levar conhecimento.

Introdução/Contexto

A educação em saúde desempenha um papel fundamental na promoção do bem-estar coletivo, especialmente no enfrentamento de doenças transmissíveis como a dengue. Em regiões tropicais e subtropicais, onde o clima quente e úmido favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, a disseminação de informações corretas, atualizadas e acessíveis torna-se essencial para reduzir a incidência da doença e seus impactos sobre a comunidade. Ademais, fatores como urbanização acelerada, manejo inadequado de resíduos sólidos, acúmulo de água parada e mudanças ambientais ampliam a vulnerabilidade da população, reforçando a necessidade de estratégias educativas contínuas e eficazes.
De acordo com o dossiê técnico da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) sobre a vacina TAK-003 (QDENGA®), estima-se que aproximadamente quatro bilhões de pessoas residam em áreas de risco para dengue, evidenciando a magnitude global dessa arbovirose. O documento destaca ainda que o Brasil apresenta elevada carga da doença, marcada pela circulação simultânea dos quatro sorotipos virais (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), o que aumenta a probabilidade de epidemias recorrentes e de agravamento dos casos. Nesse cenário, a prevenção permanece como eixo estruturante das ações de vigilância e controle, uma vez que não existe tratamento antiviral específico para a dengue.
Com a introdução da vacina QDENGA® (TAK-003), avaliada pela CONITEC para possível incorporação ao Sistema Único de Saúde, novas perspectivas se abrem para o fortalecimento das estratégias de enfrentamento. A imunização representa uma tecnologia complementar às ações tradicionais de combate, como eliminação de criadouros, vigilância ambiental, mobilização comunitária e orientações educativas. Entretanto, para que esta estratégia alcance seus objetivos, torna-se imprescindível que a população seja adequadamente informada sobre sua segurança, eficácia, indicação, benefícios e relação com as demais medidas preventivas. Assim, a conscientização pública assume papel central na ampliação da adesão à vacina e no fortalecimento das ações de prevenção.
Nesse contexto, a educação em saúde configura-se como elo essencial entre o conhecimento científico e a prática social, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia individual e coletiva. Por meio de ações educativas planejadas, é possível promover maior compreensão sobre a doença, estimular mudanças de comportamento e reforçar a participação ativa da população no controle do vetor e na adesão à vacinação.

Objetivos

Diante do exposto, o objetivo específico deste trabalho é desenvolver e avaliar estratégias educativas voltadas para a prevenção da dengue, com ênfase na divulgação eficaz da nova vacina, visando aumentar o conhecimento, a aceitação e a participação da população nas ações de imunização e prevenção.

Lições Aprendidas

Essa experiência mostrou-se fundamental para o aprendizado e construção do conhecimento, já que foi necessário explanar todo o conhecimento adquirido para a comunidade. Observou-se que a atuação da adesão e conscientização da cobertura vacinal, foi essencial para o conhecimento pessoal e a formação profissional dos acadêmicos, além de contribuir para a saúde da comunidade e a formação de elos entre a Faculdade e a comunidade.

Conclusões/Recomendações

O projeto desenvolvido na Estratégia de Saúde da Família (ESF) contribuiu diretamente para a conscientização da população sobre a importância da prevenção da dengue e da adesão à nova vacina. Por meio de ações educativas acessíveis e adaptadas à realidade da comunidade atendida, foi possível estimular práticas simples, porém eficazes, como a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, além de esclarecer dúvidas sobre a vacinação, promovendo maior segurança e confiança nos serviços de saúde.

A realização desse projeto reforçou o papel do enfermeiro na linha de frente do SUS, evidenciando sua atuação não apenas como prestador de cuidados, mas também como educador e agente transformador da realidade local. Essa experiência permitiu o fortalecimento de nossas habilidades comunicativas, empáticas e técnicas, contribuindo para uma prática mais consciente e eficaz no cuidado à saúde coletiva.